Janaína Paschoal, uma das co-responsáveis pelo processo que findou no impedimento de ex-presidente Dilma Roussef, escreveu numa série de postagens no Twitter que não concorda com a lei que o movimento ESCOLA SEM PARTIDO busca aprovar em várias instâncias da administração pública.
Eis sua reflexão:
Olá, Amados! Correndo o risco de ser mal interpretada, vou me manifestar sobre um assunto que precisa ser comentado. Viver é um risco constante, então, melhor arriscar a ficar congelado/engessado/estanque. Vou falar do Movimento Escola Sem Partido.Em virtude de ser evidente (ao menos eu acho que é) que eu não tenho proximidade com aqueles que (hoje) se apresentam como grupos esquerdistas, é muito comum, automaticamente, interpretarem que eu apoio causas dos que (hoje) se declaram direitistas.A verdade é que eu penso que essas designações (esquerda/direita) não querem dizer grande coisa. Mas vamos ao tema. Dia desses, ao final de uma palestra, ministrada a uma plateia que se entende direitista, uma jovem pediu que eu me posicionasse sobre a Escola Sem Partido.Eu perguntei à jovem se ela se referia ao Movimento Escola Sem Partido, ou ao projeto de lei capitaneado pelo Movimento. A moça me olhou como quem olha um ET e disse: "É a mesma coisa!". E eu respondi: "Não é!". Vou tentar explicar aqui.Até por sentir na pele o que é divergir em um ambiente acadêmico completamente dominado por uma mentalidade, obviamente, eu sou favorável ao Movimento Escola Sem Partido. É urgente conscientizar pais, estudantes e professores de que a escola há de ser um ambiente plural!Não é possível que professores queiram impor sua forma de ver o mundo aos alunos, punindo-os, não só quando divergem, mas também quando ousam perguntar "Por quê?". Muitos são os relatos de temas vedados dentro das instituições de ensino. Isso sem contar as estigmatizações.Mas se o Movimento Escola Sem Partido constitui uma necessidade, um avanço, estou certa de que uma lei proibindo a discussão de determinados temas implicará grande retrocesso. Os alunos não podem sair da escola sem respostas, não importa o assunto tratado.Vocês vão rir, mas eu preciso contar um episódio antigo. Quando eu estava na 4a. série do primário, na EEPG Blanca Zwicker Simões, a professora nos mostrou um desenho enorme referente ao sistema digestivo. Ela explicou a faringe, a laringe, o estômago ... em detalhes.Fechando a aula, a professora disse, sem maiores detalhes: "Aqui fica o ânus". A maioria entendeu, mas uma colega ficou intrigada e pediu que a professora explicasse melhor o "tal do ânus" e a professora simplesmente aconselhou que ela perguntasse à própria mãe.A colega não estava fingindo não entender e a professora ficou realmente constrangida. Naquele momento, por mais que eu gostasse da "tia" (rs), eu jurei que se viesse a ser professora, jamais deixaria de responder a uma indagação. E eu me esforço para cumprir essa promessa!Vamos a um filme. Vocês assistiram "Deus não morreu?". Nesse filme, uma professora é processada por ter respondido a uma pergunta de uma aluna, referente a Jesus Cristo e à Bíblia. É patético ver a mulher no Tribunal se defendendo, como se tivera cometido um crime grave.A defesa da Professora precisou chamar vários especialistas ateus, com o fim de mostrar que a Bíblia é também um livro histórico e que Jesus é também uma personagem histórica. O objetivo da defesa era provar que, ao citar Jesus e a Bíblia, a Professora não estava pregando.Ora, francamente, responder a uma indagação não pode ser motivo para levar um Professor aos Tribunais. Simplesmente não pode! Vamos voltar ao Escola Sem Partido, que apoio como movimento, mas não como lei.O projeto de lei referente ao Movimento Escola Sem Partido veda determinados temas em sala de aula. O primeiro dos temas é "ideologia de gênero". Por mais que eu leia sobre ideologia de gênero, mais constato que ninguém sabe bem o conceito.A primeira vez que li sobre gênero, era um material referente à violência contra a mulher. Mas a temática se alargou e, hoje, são tantas as letrinhas, que ninguém sabe bem dizer o que cada uma significa. Mas a minha indagação é bem simples...Na hipótese de ser aprovado o projeto de lei da Escola Sem Partido, o que deverá fazer um professor, diante de perguntas como: "O que é ser homossexual?"; "Transexuais podem ter filhos?"; "Eu li na internet que o artista X mudou de sexo, isso é possível?"...Deve o professor dizer: "Vá para casa e pergunte a sua mãe?". Se essa for a ideia, desculpe, impossível aceitar. Por óbvio, ninguém quer professores fazendo lavagem cerebral nem de natureza política, nem de natureza religiosa, nem de natureza sexual, em sala.Atualmente, essa lavagem cerebral é feita? Entendo que sim, infelizmente. Mas não é com lei que se muda uma realidade. Muda-se com muito debate, muita palestra, muito texto publicado. Muda-se com gente levantando a cabeça e enfrentando a situação posta.Criar um projeto de lei para proibir temas, sejam eles quais forem, apenas favorecerá mais perseguição nos ambientes acadêmicos. Além dessa proibição ser ruim em si. Não tenham dúvida de que a lei será usada contra a minoria, que ousa divergir.Hoje, quando a esmagadora maioria dos docentes PREGA a legalização do aborto, ninguém interpreta que estejam agindo com ideologia. Quando um docente diverge, automaticamente, é tratado como religioso. Pergunto: "Quem será o alvo do projeto de lei em trâmite?".Há alguns dias, escrevi que a Liberdade é o melhor remédio para a lavagem cerebral, não a proibição. Alguns não entenderam. Bem, era disso que eu estava falando. Sou favorável ao Escola Sem Partido como Movimento. Mas sou contrária ao projeto de lei em trâmite.Capisce? Espero não ter ofendido ninguém. Beijos, lindos, bom sábado!
No mesmo dia que li sobre esta reflexão, recebi via o alerta acadêmico do Google com a palavra-chave matemática o seguinte título: "MARXISMO E A ORGANIZAÇÃO DO ENSINO DE MATEMÁTICA: SIGNIFICAÇÕES DE SUJEITOS EM GRUPO DE ESTUDOS E PESQUISAS", dos autores Everaldo Gomes Leandro, Maria do Carmo de Sousa e José Antônio Araujo Andrade, da revista Germinal: Marxismo e Educação em Debate, cidade de Salvador-Ba. "Este artigo é um recorte da dissertação “O papel do grupo no processo de significação de licenciandos e professores da
educação básica sobre a organização do ensino de Matemática na perspectiva lógico-histórica” defendida pelo primeiro autor na
Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)."
No artigo, os autores, como é de se esperar, tratam a teoria marxista como algo certo e inabalável, sem considerar as refutações teóricas e práticas que tal teoria tem. O artigo aponta ainda para a linha de pesquisa e ensino chamada de lógico-histórica, uma adaptação feita pelo professor Nilton Duarte do materialismo dialético-histórico. Esta linha se não é conhecida nos meios não acadêmicos tem total aceitação sem contestação contrária, pois tem "cientificismo marxiano" como fundamento.
Outro aspecto que mostra a inserção capilar do pensamento marxista ou marxiano na formação em humanas é a existência de grupos marcadamente ideológicos. Por exemplo: Grupo de Estudos e Pesquisas Marx, Trabalho e Educação (GEPMTE) da
Universidade Federal de Minais Gerais (UFMG) e Grupo de Estudos e Pesquisas da História das Ciências (GEPHC) da Universidade
Federal de Lavras (UFLA), só para citar os que aparecem no próprio artigo. Certamente muitos outros estão estabelecidos no Brasil inteiro. Mas, e daí? Você me perguntaria... Bom. a questão é que não existe de modo disseminado qualquer outro grupo ideológico tão forte nas Universidades. Na verdade, é notório que a simples existência de palestras ou encontros acadêmicos de outra vertente causa confusões e até precisa de intervenção policial ou judiciária.
No início, os autores citam o movimento Escola sem Partido como um ataque à liberdade de cátedra e finalizam:
Entendemos que as discussões realizadas no interior do GEPHC nos mostram as múltiplas possibilidades de contribuição do marxismo para a Educação, especialmente as suas contribuições para a Educação Matemática. Percebemos também que tais discussões trazidas neste texto evidenciam a necessidade de mostrar o marxismo para além dos discursos que buscam tolher o livre pensamento, a liberdade de cátedra de professores e as discussões nos grupos, de diferentes áreas, dentro das universidades brasileiras.Este, como centenas de outros artigos acadêmicos, trata e propaga da teoria marxista como algo certo, positivo, como valor de verdade científica e axiologicamente tido como libertador na educação. A questão que se coloca é: tem-se liberdade de refutar as falácias marxistas/marxianas na academia e na escola?
Falando com experiência de quem já assumiu não concordar com tal ideologia... NÃO!
NÃO É POSSÍVEL NO CENÁRIO NACIONAL TERMOS UMA ESCOLA SEM PARTIDO COM IDEOLOGIA MARXISTA NAS ESCOLAS!
Janaína Pachoal quer defender uma liberdade de expressão, mas esquece que já vivemos num ambiente de censura ideológica, de pensamento e, até, judiciária. Apesar de parecer, não vivemos numa guerra cultural entre ideias. Vivemos, sim, numa guerra assimétrica pela imaginação moral do povo.
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Este é só um dos inúmeros exemplos por todo o país |
Inúmeros são exemplos de vídeos de professores falando de forma ideológica partidária para alunos, livros didáticos com viés anticapitalista e pró socialismo. Nas escolas e universidades existe uma hegemonia do pensamento social e de cosmovisão. Mesmo em escolas confessionais ou particulares.
Entendo que é possível que no futuro, um professor com outra ideologia possa ser perseguido ou advertido legalmente caso tente doutrinar também. Aí é que está! Não é para doutrinar para nenhum lado. A escola é uma tecnologia social para prestar um serviço às famílias e seus filhos.
Se você não concorda com o Escola Sem Partido, sugira um plano melhor. Porque não dá para aceitar o que a esquerda atualmente faz com a educação no Brasil. É um rapto da imaginação moral de nossos jovens. É um enviesamento do pensamento social de nossos professores que acham que só existe um jeito de interpretar o mundo.
A educação brasileira é uma das piores do mundo. Não vejo motivo para defender que tudo continue como está. Não se pode criminalizar professor. O que se busca é desvelar o doutrinador.

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